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Oba, novidade!
Ela vai pegar você. Seja por torpedo, depoimento, emeio,
tuitada, escrépe (até jornal ou rádio). A novidade acaba alcançando a todos
nós: saiu um aparelho novo! Ele faz de tudo: acessa a net, faz ligações
telefônicas, sintoniza HDTV, toca música e blu-ray, serve de agenda,
secretária, calcula calorias e, com o chip vermelho, faz sorvete de morango (o
chip marrom faz de chocolate, mas só chega ao Brasil semestre que vem). Corra
pra comprar – ou, ao menos, pra saber tudo sobre o treco e ficar sonhando e
amargurando a impossibilidade de comprar a jóia. E transforme o aparelhinho
(sim, outra vantagem é ser do tamanho de um botão) num lindo... sonho de
consumo!
Reconheceu a situação? Apesar do tom irônico, é mais ou menos
assim que acontece e ninguém está imune (nem eu, claro). Porém, há uma ou duas
considerações que a gente pode fazer sobre essa volúpia high tech.
Lá pelo final dos anos 1970 começou-se a dizer algo como
“informação será a mercadoria mais valiosa do futuro”. Ninguém entendia muito
bem; mais valiosa que... sei lá... ouro?! É. Só que o futuro chegou. Hoje
sabemos que informação, conhecimento, saber-antes-dos-outros é algo
extremamente valioso. Como disse Francis Bacon, refletindo sobre a Ciência, lá
no século 16: “Conhecimento, em si mesmo, é poder”. Informação é uma das bases
do conhecimento e toda essa aparelhagem ultramoderna serve para veicular,
distribuir, alastrar essa base.
O tal desejo insaciável pelas novas tecnologias midiáticas não é
tão maluco ou inútil assim. Pode ser exagerado, mas há razão para existir.
A ciência continua a pesquisar novas maneiras de trabalhar a
forma e a velocidade da informação. E a indústria condensa todos esses
resultados de pesquisa em aparelhos cada vez menores e com menor custo (por
mais caros que pareçam!). Parece que, a cada fornada de gadgets, agrega-se a
eles uma função tão inovadora que provoca a súbita sensação de
“oh-céus-como-é-que-vivi-sem-isso-até-agora-?”. Como tudo é oferecido como algo
que vai suprir uma necessidade, desejar o tal brinquedinho é natural. A
publicidade nos avisa que, finalmente, teremos a almejada qualidade de vida
(e/ou diversão, dependendo da idade).
Porém, na ânsia pela novidade, acabamos perdendo algo pelo
caminho, talvez o ponto central do problema. Veja: uma indústria quer a
liderança do mercado. Despeja toneladas de produtos, os mais variados, na
praça. A concorrência faz o mesmo. Para diferenciar-se dos outros, alguém
oferece uma coisinha a mais (não tudo o que é possível; se não, o que lançar na
próxima leva?). Todos seguem o mesmo percurso. Resultado: consumidor atordoado
pela variedade, sem saber o que escolher, opta pelo mais recente – cujo ineditismo durará uma semana, ou menos.
Perguntinha: você usa TODOS os recursos de seu eletrônico de última geração,
celular, por exemplo? Acho difícil. E isso faz pensar...
Se não esgotamos todos os recursos da mídia que nós mesmos
desejamos e compramos e temos em mãos, será que já o fizemos em relação às
coisas que já estavam por aí antes de nascermos? Refiro-me às “velharias”:
livro, jornal, rádio, essas coisas. Você está ansiosíssimo para estrear o seu
blog – afinal, todo mundo que é descolado tem um blog! Mas, já escreveu um
artigo para uma revista (como este aqui, por exemplo)? Ora, um blog é isso,
botar suas ideias a público. Como uma rádio funciona? E televisão, meu Deus,
que acompanha a gente desde o colo da mãe! Como acontece com tanta coisa (até
com pessoas...), você convive tanto com televisão que nem imagina o quanto ela
pode ser criativa, independente, divertida e – atenção para a palavra mágica –
inovadora! É isso: a gente nem se dá ao trabalho de descobrir as novidades
daquilo que já está à nossa disposição. E se alguma coisa o desagrada num
desses veículos de comunicação, que tal passar a influir, criando um grupo de
pressão, a fim de que acertem seu programa favorito, sem tirá-lo do ar. Você
pode passar a ter um mundo muito maior de opções! O mesmo vale para tudo, o que
exige uma postura mais proativa – como qualquer coisa que valha a pena nesses
tempos pós-modernos.
Enfim, sem querer dar conselhos a ninguém: não precisa ir morar
numa caverna; você pode – e deve – continuar ligado em tudo o que acontece;
mas, antes de se atirar num aparelho cuja maior vantagem é ser a novidade de
hoje, que tal dar uma olhada em volta e procurar extrair o máximo de tudo o que
a mãe-tecnologia colocou nesse mundão? Você pode começar a ter surpresas...
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